Cinema em casa

tempoqueresta2

Eu detesto domingo (onde quer que eu esteja – principalmente à tarde, onde aquela depressão da quase segunda começa a se instalar).

Os católicos vão à missa, os evangélicos vão ao culto (em frente a minha casa existe uma igreja evangélica daquelas bem barulhentas e todo domingo é um suplício – não existe dosagem de lexotan que resolva – enfim – um terror). Eu vou ao cinema – aliás – ía, ultimamente ando numa preguiça gigante, estou praticamente cumprindo pena de prisão domiciliar.

Ontem choveu o dia inteiro – aliás surtos de tempestades – uma delícia para ficar em casa. E foi o que eu fiz. Uma amiga da minha mãe almoçou com a gente lá em casa e minha mãe pediu que esolhesse um filme para as duas assistirem.

Eu fico numa felicidade de criança com um pedido desses (que é um pequeno poder – e também uma grande responsabilidade). Tinha acabado de organizar minhas caixas de dvds (por diretor, país, gênero, etc). Então já estava mergulhado em todos eles. Bem bom!

Escolhi O Tempo que Resta para elas assistirem.

Minha mãe já havia assistido (mas ela é como o filho, não se cansa de assistir o mesmo filme várias e várias vezes). Acabei me rendendo e sentei com elas para assistir novamente.

O filme em questão é do diretor francês, François Ozon, o mesmo de 8 Mulheres. Já comentei esse filme aqui – mas ontem assistindo pela 4ª vez – percebi novas mensagens no filme – uma delas: viver cada dia como se fosse o último. E dar mais valor à vida e às pessoas.

O filme é triste. Muito triste. Conta a história de Romain, um jovem fotógrafo de 31 anos, bem sucedido, que se descobre vítima de um câncer terminal. O médico lhe dá 3 meses de vida, assim na primeira cena – seca e direta – e a partir daí o filme se desenvolve.

Mas o mais interessante é a maneira sublime – e não piegas – de como o tema é apresentado. O silêncio do personagem, os fechamentos em algumas áreas de sua vida, os diálogos com a avó (interpretada pela sempre ótima Jeanne Moreau), o isolamento, os momentos de reflexão, o encontro com sua infância.

O filme é curto. Apenas 85 min; muitos dos meus amigos detestaram o filme – talvez pelo medo do tema, a morte. Mas ao mesmo tempo, serve de reflexão de como estamos levando a nossa vida e como andam nossas relações com as pessoas que amamos.

Bergman é também um diretor que trata a morte de uma maneira poética. Christophe Honoré também traz a morte em todos seus filmes.

Não é um tema fácil de aceitar, nem de encarar, concordo. Mas não podemos fugir da vida o tempo inteiro.

Resultado final: A amiga da minha mãe, a Fátima, adorou – e praticamente aplaudiu de pé.

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