Minha Mãe, Christophe Honoré

mamere

Tenho uma dvdteca em casa, com mais de 300 títulos, estou sempre em busca dos melhores filmes, dos grandes diretores não importa o tempo que isso leve. E sou bem exigente, dificilmente me rendo a um título que não tenha uma qualidade indiscutível.

Quando viajo, vou sempre atrás dos filmes que não encontro no Brasil. Com o diretor francês Christophe Honoré foi assim. Seus filmes só passam em festivais fechados de cinema ou na própria Embaixada da França em Brasília. Nem sempre eu consigo ir.

Desde que assisti o ótimo Dans Paris, fiquei fascinado em assistir seu filme anterior – Ma Mère (Minha Mãe) – que foi um fiasco de público e crítica, quase valendo a cabeça do diretor. Achei curioso, pois um filme com Isabelle Huppert e Louis Garrel por pior que pareça, sempre vale a pena – já que os dois são meus favoritos de longa data. Achei o filme em Paris, na Fnac da Bastille. E retornando ao Brasil, fui conferir.

O filme conta a história de Pierre (Louis Garrel), um adolescente de 17 anos que tem um amor cego pela mãe (Isabelle Huppert), mas ela não está disposta a assumir o que o filho projeta dela.

Recusando ser amada por aquilo que não é, ela decide quebrar o mistério e revelar a sua verdadeira natureza – a de uma mulher para quem a imoralidade se tornou um vício.

O filme é pesado. Bem pesado aliás. Cenas fortes, uma vez que trata o maior dos tabus, o sexo entre mãe e filho. A história é baseada num livro inacabado do escritor francês Georges Bataille.

Somente esses dois atores poderiam ter dado vida a personagens tão carregados emocionalmente. Isabelle, a maior atriz francesa de todos os tempos (falo isso sem medo de parecer pretencioso), sempre fria, dá vida a essa mãe distante, imoral, que causa uma certa repugnância no decorrer do filme. E Louis Garrel, um dos maiores talentos da nova geração francesa, faz um garoto tímido, perturbado, destes que dá vontade de levar para casa e cuidar (quando eu o vejo em cena, sempre tenho essa vontade ai ai).

Joana Preiss, atriz do underground parisiense e musa da fotógrafa Nan Goldin dá vida à amante de Isabelle e de seu filho (os dois protagonizam um ménage à trois num taxi em movimento – numa cena bizarra). Joana participou de Dans Paris, onde interpretava a mulher de Romain Duris. Versátil, com uma voz rouca e sexy, bem francesa aliás.

O filme é ok. E não acredito que tenha sido produzido apenas para chocar. Mas choca. Tem falhas visíveis no roteiro e o argumento é fraco. Mas vale como arte. Mas é filme para poucos, eu diria.

Mas se você parar para pensar e colocar na mesma mesa: Christophe Honoré, Isabelle Huppert, Joana Preiss e Louis Garrel. Vale os 90 minutos de exibição e um forte debate sobre cinema.

E pensar que um dia dei de cara com Louis Garrel num café em Saint-Germain de Prés. Ficamos mesa a mesa durante horas, até puxei assunto, falei da minha admiração pelo seu trabalho, ele foi mega simpático. Um charme. Muitos me perguntam, porque não tirei uma foto. Mas jamais pagaria esse mico. Existem momentos que é melhor guardar para a gente. Esse, certamente, foi um deles.

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4 pensamentos sobre “Minha Mãe, Christophe Honoré

  1. Nossa você escreve de uma forma tão natural e sensível que dá vontade de assistir o filme, pela sua descrição é para poucos mesmo, mas sabe que ando com a mente mais aberta e mais receptiva para muitos assuntos, daí que pela descrição acho que é o tipo de filme que devo assistir para sentir o quanto evolui como pessoa nos ultimos tempos.
    BJOKS.

  2. Ganhei um box deste diretor vindo da França, já tinha assistido Dans Paris e gostado muito. Como assisti o filme em francês e sem legendas e sou uma iniciante na língua, fui para o google buscar informações e cheguei aqui. Mas os dois são tão bons atores que a tensão sexual entre mãe e filho fica evidente desde o início. Eu só esperava pelo acontecimento final, chocante, um Édipo consciente.

  3. Eu vi este filme ontem. Eu assisti sozinha, ainda bem! Eu tenho três filhos e não queria ter visto o filme perto deles! Eu fiquei super incomodada. Que filme pesado. Eu já não tenho mais paciência com a Isabelle. Parece que ela vive eternamente uma ruiva/fria/sádica/perversa. Ela vai escolhendo cada vez mais papeis deste gênero. Sempre falando com aquela voz de quem morre de tédio. Sempre o seu famoso AH! BON! como resposta lacônica. Seria uma boa atriz se ela pudesse variar, mostrar outras interpretações. Bancar uma MAMMA caliente, calorosa e amorosa, por exemplo! Depois de trabalhar para Chabrol, ela virou a eterna chata neurótica do cinema Francês! Ao envelhecer, ela secou demais, ficou feia também. Prefiro muito mais a outra ruiva do pedaço, a Juliane Moore, que já mostrou ter uma capacidade interpretativa muito maior, já viveu mulheres frias, mornas e bem quentes! Isabelle com o seu eterno ar blasé já cansou!

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