La Belle Personne, de Christophe Honoré (*comentário)

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Ontem assisti La Belle Personne do diretor Christophe Honoré. Adoro o trabalho desse diretor, que antes de abraçar a profissão, era crítico de cinema da conceituada revista Cahiers do Cinéma. Bom lembrar, que desde os tempos da nouvelle vague, o cinema na França é quase que uma instituição – lá muitas pessoas pagam uma taxa por ano e podem ver quantos filmes quiser – que tal.

Mas voltando ao assunto. Honoré é um diretor novo, tem 40 anos e vários filmes interessantes na bagagem (entre eles, Minha Mãe, Em Paris, Canções de Amor). Tem uma influência clara do conterrâneo François Truffaut. Suas produções estão cada vez mais cuidadosas (da fotografia aos próprios temas), tudo tratado com uma sutileza, um cuidado na direção de arte, que me impressiona. Apesar da clara influência de Truffaut (todo mundo é influenciado por alguém – não vejo isso como problema algum), ele está desenvolvendo um estilo próprio, desses, que a gente reconhece fácil fácil.

Bom, La Belle Personne conta a história de um grupo de alunos do ensino médio de Paris (os famosos lycées franceses) de um bairro classe média alta (o 16ème). Além dos conflitos internos, mostra a relação dos professores com os alunos.

Uma aluna nova na sala, porém, desencadeia uma série de acontecimentos. A jovem, linda de viver desperta a atenção (e o amor) de um aluno e um professor. Não preciso dizer que ela se envolve fisicamente com o primeiro e emocionalmente com o segundo.

Seu namorado ao descobrir que ela está envolvida com o professor se suicida no próprio colégio e o filme desenvolve.

Trata ainda, de uma maneira bem delicada um trângulo amoroso gay envolvendo três rapazes (todos na faixa dos 17 anos). Um deles enganava a namorada, fazendo parte desse trio. Sem nenhuma afetação, o caso foi mostrado tal como acontece na vida real.

Cheguei a uma conclusão, os adolescentes franceses são bem diferentes do resto do mundo. Mesmo sendo um filme, ficou bem clara a diferença deles com os demais.

Além de charmosíssimos (o filme se passa em pleno inverno de Paris – bem acinzentado, árvores nuas, noite), eles tem uma maturidade acima da média. O filme mostra também o dia a dia, como as aulas são ministradas na França, a inserção da literatura, do cinema, dos filósofos (como lêem, impressionante) e da música erudita.

Em uma das aulas de italiano, Louis Garrel, que interpreta o professor garanhão coloca uma música de Callas, para exemplificar uma tragédia italiana. Vários se emocionam na sala de aula. Linda essa cena.

O filme é bem francês, diga-se de passagem. Algumas tomadas lembram bem os filmes dos anos 60, com cortes bruscos das cenas, diálogos curtos e longos períodos de silêncio. Os atores escolhidos a dedo.

Louis Garrel está em seu melhor momento, deixando o lado moleque e abraçando uma estética mais madura. E sua beleza contribui ainda mais para o filme, mas o rapaz é bem talentoso. Chiara Mastroianni faz uma participação amiga, já que é da turma do diretor.

Clotilde Hesme, outra musa de Honoré, interpreta uma bibliotecária, com uma história paralela que rende um ótimo diálogo.

O jovem suicida, Grégoire Leprince (que já havia atuado em Canções de Amor) está perfeito no papel do namorado inseguro.

O filme é forte, mas real. Fala de amor de uma maneira madura. Numa das passagens, um personagem reclama da curta duração do amor. Que por mais que se ame, um dia esse amor acaba, daí o seu medo da entrega.

Recomendo. Honoré não me decepcionou em nada.
 

 

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O diretor Christophe Honoré e seu ator fetixe Louis Garrel (juntos filmaram Dan Paris, Ma Mère, Canções de Amor e La Belle Personne; sempre Louis no papel principal).

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Ma Mère

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Com Isabelle Huppert em Ma Mère (o filme não chegou às telas brasileiras).

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Com Romain Duris, em Dan Paris

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No musical fofito, Canções de Amor.

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Um pensamento sobre “La Belle Personne, de Christophe Honoré (*comentário)

  1. Assisti la belle personne e me encantei com tdo, na vdd o filme e mto enigmatico pois foge ao alcance do publico o amor dos protagonista nos faz pensar que foi ocultada alguma parte do filme mas é tocante o amor e a renuncia de June. E parabens ao Louis Garrel por nao ter tirado a roupa neste filme, nao gosta de pensar nele apenas como sexy mas tbm como poetico e profundo.
    je t’aime Garrel!

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